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Agostinho Baldin, doutor em Letras, autor de “Anseios do Coração, ex-educador do Colégio Marista Paranaense.
agostinhobaldin@terra
.com.br



ANO 10 - ED 112 - JANEIRO DE 2009

LÍNGUA PORTUGUESA: NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO E O EMPREGO DO HÍFEN

Agostinho Baldin

Caros amigos, na onda da “nova ortografia”, aparecerão muitas publicações, procurando fazer entender essas matéria aos menos enfronhados na área. Eu também meti minha colher no pirão... “Cada macaco em seu galho”... Tentei visualizar melhor (o que se refere ao uso do hífen, que sempre foi inaprendível e continuará agora e sempre, amém...). Era hora de exterminar de vez esse “tracinho” intruso e que causa tanta dor de cabeça... (sabia que são as coisas pequenas que mais incomodam?...).

O Acordo apresenta (como sempre) de maneira confusa as novas normas, misturando quando se deve e quando não se deve empregar o hífen. Perdoem-me os leitores, mas os legisladores não são os mais competentes ao legislarem em matéria de língua. Quase sempre por trás de uma reforma ortográfica há interesses estranhos, as mais das vezes sempre extralinguísticos. Durante minha vida já passei por 5 reformas de ortografia, e agora vem mais uma... Alguém poderia citar-me um caso em que tenha havido condenação por não ter observado a lei da ortografia? No país da impunidade é isto que acontece. Tenho a convicção de que esta nova “ortografia” não terá destino diferente das anteriores. Os especialistas na matéria, há dezenas de anos, não chegam a um acordo unânime; imaginem quando essa decisão é tomada por quem não é da área!...

Por isso preferi montar um quadro relativo ao hífen -, dispondo primeiro as normas de emprego; em segundo, as normas do não-emprego. (Entre os dois quadros, “atrevi-me” a colocar algo que o Acordo esqueceu..., como sugestão, porque realmente esses acréscimos fazem falta.... Não pretendo ser mais sabido que outros tantos; mas estou respaldado por 40 anos de magistério de língua portuguesa no ensino médio e no superior, além do grau de doutor em língua portuguesa, preparado em Lisboa e conquistado na UFSC, em 1974; fui professor titular em língua portuguesa, por concurso na UEM, no início dos anos 1980. Além de “ensinar língua portuguesa”, dei-me ao “capricho” de escrever muita matéria-prima nessa língua, de que resultou na publicação de quase uma vintena de livros (meus) e de várias dezenas de crônicas ainda não publicadas; por fim, tenho prestado serviços de revisão de teses, dissertações, monografias, edições de livros, que já passam de três centenas. Considero bom professor de português aquele que sabe ensinar essa língua e sabe também escrever nessa língua.

Apresento esse esquema como subsídio didático, de maneira condensada (com o passar do tempo, poderá receber melhorias).
Entre o “emprego” e o “não-emprego”, dispus, como sugestão, alguns acréscimos que considero práticos e completantes. Espero ser útil para o aprendizado dessas novas Normas do Acordo Ortográfico

Novas Normas do Acordo Ortográfico

1. K, W e Y são acrescentadas a nosso alfabeto.

2. Não se usa mais trema; é conservado apenas em nomes próprios e seus derivados.

3. Não se acentua mais os ditongos abertos EI e OI, em palavras paroxítonas.

4. Não se usa acento circunflexo sobre o primeiro O e E: ex. leem, voo.

5. Não se emprega mais acento diferencial (de tonicidade) em palavras homógrafas: para (v. e prep.), pela (subst. e v.), pera (subst. e prepos. arcaica), polo (subst.), por (v. e prep.).
Exceção: Não se usa mais o acento diferencial (de tempo e pessoa): pode (presente) e pode (pretérito).

6. Não se acentua mais o U nas formas rizotônicas: argue, argui, oblique, adeque.

7. Não se acentuam mais o I e o U tônicos em paroxítonos precedidos de ditongo: baiuca, feiura.

8 - EMPREGA-SE HÍFEN:

Prefixos e falsos prefixos: ALÉM AQUÉM EX SOTO PÓS PRÓ PRÉ RECÉM SEM VICE ex. além-mar, aquém-fronteira, ex-diretor, soto-ministro, pós-graduação pré-escolar pró-renal, recém-chegado, sem-cerimônia vice-presidente).

Prefixos CIRCUM PAN + palavra iniciada por vogal M N (ex. pan-americano circum-navegação)

Prefixos terminados em R + palavra iniciada por R (ex. super-realista).

Prefixos terminados por vogal + palavra iniciada pela mesma vogal: (ex. micro-ônibus, anti-inflamatório, contra-atacar, infra-assinado, mini-invasão, maxi-invenção, proto-osmose, pseudo-organização, semi-indicação, supra-argumentado, ultra-atingido, sobre-elevado).

Prefixos terminados por vogal + palavra iniciada por H: (ex. extra-humano, anti-higiênico, semi-herbáceo).

Prefixos em que ambos os componentes têm sentido próprio mantendo o acento (tônico) próprio (ex. conta-gotas, beija-flor, guarda-chuva, azul-escuro, segunda-feira, erva-doce, bem-te-vi, ano-luz, cirurgião-dentista, etc.).

AS 4 “REGRAS” ABAIXO, SÃO PROPOSTAS POR MIM, COMO COMPLEMENTAÇÃO (NÃO CONSTA NADA SOBRE ESSES EMPREGOS NO NOVO ACORDO).


1. (Prefixos AB AD OB SOB SOBRE SUB + palavra começada por R) : (ex.: ab-rogar, ad-renal, ob-rogar, sob-roda, sobre-restar, sub-reptício, sub-rogar).

2. (Prefixos CO, MAL, BEM + palavra começada por vogal ou H: (ex. co-habitar, mal-humorado, bem-humorado, bem-aventurado, mal-aventurado, bem-querer, bem-visto, bem-vindo, bem-nascido, bem-estar, bem-feito, bem-criado, bem-educado, bem-amado, bem-falante).

3. (Prefixos: GRÃ GRÃO NUPER PÓSTERO SOTA SÚPERO VIZO): (ex.: grã-cruz, grão-duque, nuper-falecido, póstero-inferior, sota-piloto, soto-ministro, súpero-anterior, vizo-rei).

4. (Advérbio NÃO + palavra iniciada vogal ou consoante: ex. não-intervenção, não-titular

NÃO SE EMPREGA HÍFEN

Prefixo CO: mesmo se a outra palavra comece com a vogal O: (ex. cooposição, cooptação).

Prefixos terminados em vogal + palavras iniciadas por R e S: (ex. antessala, antissocial, antirrugas).

Prefixos terminados em vogal + palavras iniciadas outra vogal: (ex. contraordem, extraoficial, infraestrutura, semiárido, ultraelevado, autoestima, contraindicação, intrauterino, maxielegância, miniespetáculo, antiaéreo, socioeconômico, sobreelevar, entreolhar, entreaberto).

Locuções de qualquer tipo: (ex. fim de semana, pão de mel, à vontade, sala de jantar, café com leite).
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meia, cor-de-rosa, ao deus-dará, à queima-roupa.

Em palavras compostas em que se perdeu a noção de composição: (ex. parabrisa, paralama, paraquedas, mandachuva, paravento, etc.)..

Em locuções de qualquer tipo: fim de semana, sala de jantar, pão de mel, cor de vinho, cartão de visita, etc.
Exceções: água-de-colônia, cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.

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