| |

ANO 9 - ED 107 - AGOSTO DE 2008
O INTERNATO
Agostinho
Baldin

Foi ao ler "O Caraça de Irati" (artigo
do jornalista Aroldo Murá G. Haygert, publicado na Gazeta do
Povo em 22 de janeiro de 2007), que espicaçou-me a vontade de
escrever algo de semelhante sobre o verdadeiro "Parnaso do Seminário",
em Curitiba, desde os albores do mesmo
século XX.
O artigo mostrava que - como o Caraça
de Minas Gerais - o "Caraça" de Irati, foi um centro
de educação sólida, cheio de história e
coberto de méritos educacionais em Irati e região, dirigido
pelos padres lazaristas, que nessa cidade se instalaram no final da
primeira metade do século XX. Muitos homens públicos
do Paraná lá tiveram a consolidação de
sua jovem personalidade, base de sua atuação social no
futuro.
O "Internato Paranaense", hoje
Colégio Marista Paranaense, é uma presença viva
na história pessoal de jovens que nos últimos 70 anos
se tornaram "bons cristãos e virtuosos cidadãos",
com atuação nos mais variados setores da sociedade contemporânea.
Do Seminário ao Marista Paranaense Durante os
38 primeiros anos de sua história, o conhecido "Seminário",
de início, e "Internato", depois, também foi
dirigido com competência pelos mesmos padres lazaristas.
A partir de 1939, os Irmãos Maristas foram chamados
por Dom Atico Eusébio da Rocha, para substituir os padres lazaristas,
por razão de dificuldade de esses religiosos continuarem à frente
de tão modelar estabelecimento, por absoluta carência
de educadores.
O preclaro arcebispo, que havia conhecido a ação
desses educadores, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, não
teve dúvida em confiar essa obra de fundamental importância
para sua diocese e para o Paraná, à reconhecida competência
dessa Congregação de educadores. Dom Atico não
se enganava ao tomar tão arrojada decisão.
O Internato Paranaense era a modalidade de internato,
a par da outra de externato, em que se subdividiu o lendário
Ginásio Paranaense. Infelizmente, não se conhece a razão
por que esse vocábulo "internato", tão nobilitado
durante séculos, recebe nos dias de hoje uma conotação
estranha ao mundo educacional, reservando-o para regime prisional...
O Internato Paranaense, sob a direção
dos Irmãos Maristas, a partir de 2 de abril de 1943, pelo Decreto
Federal nº 12.135, passou a ser denominado de Colégio Paranaense.
Embora essa fosse a denominação legal, esse estabelecimento
continuou sendo chamado de Internato Paranaense ou Colégio Paranaense
Internato, por muitos anos. Mais tarde, por razões sociais e
pedagógicas, na década de 1980, o regime coletivo de
internato foi encerrado, continuando por algum tempo o regime de residência
estudantil, em apartamentos individuais, para os que optassem por isso
e pudessem arcar com as despesas de manutenção desse
regime. Não muitos anos depois, esse regime também foi
encerrado. O Colégio Paranaense continuou e continua sua história
educacional com o mesmo esmero e com igual competência dos primeiros
anos até os dias de hoje. A partir da década de 1970,
foi transformado em estabelecimento de educação mista,
ampliando sua abrangência social e educacional, mantendo hoje
a educação desde a educação infantil até o
ensino médio.
O Ginásio Paranaense, como externato, foi o embrião
do grandioso Colégio Estadual do Paraná, padrão
de ensino público, em Curitiba, que escreveu páginas
brilhantes no campo da educação, sob responsabilidade
do Estado do Paraná.
Como tendo participado por alguns anos da história
do "Internato Paranaense", não posso furtar-me de
escrever algo que me diz respeito e especialmente diz muito respeito
a várias centenas de jovens que tiveram seu rumo certo para
a vida traçado nesse vetusto casarão de ensino. Há poucos
anos, esse "vetusto casarão", agora denominado Colégio
Marista Paranaense, foi remodelado por fora e por dentro, deixando-o
ainda mais renovado e atraente aos olhares de seus milhares de jovens
que a ele acorrem de toda Curitiba para receber o pábulo da
ciência e da virtude, sob a direção dos Irmãos
Maristas, secundados por um corpo docente seleto e competente.
Longe de mim não considerar aqui a obra meritória
e desvelada dos padres lazaristas, que tudo fizeram nos 38 primeiros
anos da história do Ginásio Paranaense; ao contrário,
ela foi o alicerce sobre o qual os Irmãos Maristas construíram
o renome que fez dele o Colégio Paranaense - "uma referência
de educação marista".
A obra educacional desenvolvida pelos Irmãos
Maristas no Colégio Paranaense foi notável desde o início
de sua presença nesse educandário. O desenvolvimento
do currículo escolar, com rara competência e dedicação
invulgar de seu corpo docente, seguindo a metodologia educacional marista
trazida da França no começo do século XX e mantida
ao longo de sua história educativa granjeou fama que ultrapassava
a fronteira do Paraná. Numerosos alunos do Paraná, de
Santa Catarina e de outros Estados, acorriam ao "Internato" para
receberem a educação que dificilmente encontrariam em
outras cidades.
A seriedade com que a instrução curricular
e ação pedagógica eram desenvolvidas, aliadas à vivência
cristã, através da reza diária do terço
e da prática sacramental, assegurada na missa diária
que se celebrava no Colégio e da qual todos podiam participar,
assim como o acompanhamento diuturno dos Irmãos, durante o dia
e durante a noite (esta para os internos), essa metodologia consolidou
a personalidade de dezenas de jovens que hoje povoam os mais variados
setores da sociedade paranaense e de outros Estados da Federação.
Os livros didáticos da coleção
FTD, de insuperável qualidade e eficiência, adotados no
Colégio, consolidaram o ensino levado ao extremo da competência,
de tal modo que os formandos, ao se candidatarem aos vestibulares,
raramente precisavam de cursinhos pré-vestibulares, à moda
de hoje.
Uma particularidade é preciso ser ressaltada
nessa metodologia educacional adotada por tantos anos no Colégio
Paranaense, assim como nos demais estabelecimentos de ensino mantidos
pelos Irmãos Maristas.
É a ação educativa da presença
física dos Irmãos, no ministrar as aulas curriculares,
por muitos anos em dois turnos diários, assim como supervisionar
as atividades de recreio e prática de esportes, as horas destinadas
ao estudo particular nas salas coletivas de estudo, supervisionado
pelo "prefeito" - vigilante -. Essa ação marcou
profundamente a alma dos internos de outrora, que ainda hoje conservam
o amor entranhado aos Irmãos Maristas, graças a essa
educação severa e paternal em que foram moldados. O convívio
estreito e quase contínuo dos jovens com seus educadores Irmãos
Maristas desenvolveu o amor entranhado a seu Colégio, o que,
parece, não se percebe nos alunos de hoje.
Por essa e por outras razões é que o "Internato
Paranaense", hoje Colégio Marista Paranaense, é uma
presença viva na história pessoal de centenas e centenas
de jovens dos últimos 70 anos que se tornaram "bons cristãos
e virtuosos cidadãos", como queria o fundador dos Irmãos
Maristas, São Marcelino Champagnat, com atuação
nos mais variados setores da sociedade contemporânea.
< retorna ao
sumário
|

|